sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Disciplina espiritual (abhyasa)

  As pessoas estão acostumadas a seguir caminhos fáceis.
  Então, para suprir as necessidades instintivas as pessoas se dedicam com afinco, sob pena de não ter a necessidade satisfeita.
  Por exemplo, a pessoa precisa comer e consumir todos os dias, então ela abre qualquer negócio e se dedica com afinco, horas a fio, até que as coisas fiquem o mais perto da perfeição possível, sendo que o negócio surtirá resultados meses depois, senão anos depois de muita dedicação.
  Para obter um título universitário são necessários anos de estudo.
  Contudo, para obter conhecimento espiritual a pessoa acha que basta se confessar, ou dar um prato de comida a um pobre, ou ler o livro Sagrado.
  Tal pensamento não leva as pessoas a crescimento espiritual algum, eis que para qualquer crescimento, em qualquer área da vida, é necessário muita dedicação.
  Mas como o desenvolvimento espiritual não é uma necessidade física, a pessoa vai empurrando com a barriga até a morte. Quando se acha em situação de embaraço a pessoa reza para Deus e pede clemência, como se Deus estivesse à nossa disposição da forma que nós achamos que ele tem que estar.
  Para estes e para mim, que também sou preguiçoso eu digo, crescimento espiritual demanda disciplica, habitualidade, dedicação e foco.
  Rezar o terço todos os dias, tocar e cantar para Deus todos os dias, ou praticar yoga todos os dias, ou meditação todos os dias.
  Todas as religiões, lá no fundo do baú, apresentam caminhos de desenvolvimento espiritual, cabendo a nós praticá-los.
 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Jesus foi Deus?

  Considero desnecessárias a maioria dos questionamentos acerca de Jesus, como por exemplo, ele teve irmãos? Maria era virgem? etc. Contudo, é necessário fazer um grande questionamento, que pode mudar a forma como vemos a espiritualidade, 'Jesus foi Deus?'
  Textos apócrifos apontavam que pessoas que conviveram com o próprio Cristo não acreditavam que o mesmo foi Deus. Se os Judeus tivessem reconhecido que Jesus era o Salvador enviado por Deus teriam matado ele? Por óbvio não.
  Ocorre que só existe igreja se existir algo extraordinário, ninguém criaria uma igreja para adorar uma flor e falar que a mesma contém a essência de Deus, porque a flor é algo corriqueiro, rotineiro, vemos flores todos os dias, como algo corriqueiro pode ser parte de Deus?
  As igrejas, então, tiveram que criar Deuses, seres incomuns que passaram por situações extraordinárias desde a concepção, mesmo que para isso tenham que adulterar textos considerados sagrados.
  Se para mim Jesus foi Deus em carne e osso, então basta ler e seguir tudo o que ele disse e eu estarei no céu, sem precisar de mais nada. 
  Além disso, se eu entender que Jesus Cristo foi Deus, então eu admito que nunca alcançarei a mesma experiência espiritual que Jesus Cristo teve, pois se eu não sou a encarnação de Deus como ele foi, como atingirei o nível de consciência que ele atingiu.
  Aliás, para manter Jesus em patamar superior a igreja traz a alegoria de Lúcifer, o anjo do mau, que quis se rebelar contra a "hierarquia divina" e se tornar o maioral, assim como Deus.
  Tal alegoria não passa de falácias, pois nem Lúcifer, nem Jesus, krishna, Buda, Maria, Santos, anjos, arcanjos ou homens têm o Poder da Criação. Somente o Criador do universo tem o Poder da Criação. Não foi nenhuma entidade que criou a regra que do deserto+água+energia solar nasceria uma planta. Só o Criador detém o Poder sobre a Criação perfeita que ele mesmo criou, como se artista fosse.
  Só o Criador pode apagar borrões, apagar e refazer, e continuar a destruir e criar continuamente, ninguém mais tem este poder.
  Se encararmos a blasfêmia de dizer que Jesus Cristo não foi Deus, mas sim um ser humano como nós, que no começo teve aspirações e medos, desejos, carne e osso, e que depois atingiu o nível de superconsciência através das práticas espirituais, então admitiremos que se nós buscarmos na bíblia e nos textos apócrifos as práticas espirituais experimentadas por Jesus e trilharmos o mesmo caminho, então muitos de nós, se estivermos preparados, obteremos crescimento espiritual incrível, e conseguiremos mudar tudo no mundo.
  Tal ensinamento é bíblico e está previsto em João, 14, 12, onde Jesus diz (nas minhas palavras) “Aquele que acredita nas coisas que eu estou dizendo e ensinando (e não “em mim” como Deus, que é a forma como a igreja ensina) fará também as obras que eu faço e outras maiores fará”.
  Veja, o próprio Jesus disse que seremos capazes de “obras” maiores do que as dele. Ora, se o mesmo fosse Deus, de que forma seriamos capazes de obras maiores do que as feitas pela encarnação de Deus?
  Em verdade vos digo, é possível a algumas pessoas chegar na metade, atingir ou até mesmo ir além no nível de consciência que Jesus atingiu, desde prestemos atenção nas práticas espirituais que o mesmo praticou e passemos a seguir o mesmo caminho, cada um praticando e buscando seu próprio caminho.  

  

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Presente de natal...

  Natal é prática comercial.
  Não voltarei ao assunto de que o natal deveria estar envolvido de esperança e valores espirituais, disso todo mundo já sabe, disso todo mundo já ouviu falar, gostaria que a minha reflexão sobre o natal fosse mais além.
  E se neste natal o meu pedido fosse, por exemplo, que a minha família aceitasse o meu relacionamento homossexual? ou que a minha família preconceituosa aceitasse o meu namoro com pessoa que possui pigmentação da pele diferente?
  Eu digo, passar em qualquer loja, sacar o cartão de crédito e comprar qualquer coisa cara ou barata é fácil, mas lidar com suas próprias limitações para aceitar as necessidades de algum familiar é mais profundo e complexo.
  E ninguém quer coisas complexas, ninguém quer enfrentar suas próprias convicções, porque é mais difícil e pessoas não gostam de coisas dificeis.
  Presentes não vão nos ajudar a vencer a luta interna que nos transformam em pessoas melhores.

Caridade?

  Caridade, na concepção geral é ajudar os necessitados.
  Eu não ajudo ninguém. Tipo assim, se vejo uma boa intenção de doação de alimentos, ou roupa ou etc. e participo por puro modismo, tipo assim, estou no momento da galera, mas não porque eu entenda isso como um ato nobre.
  A caridade, tal qual praticada, na minha visão, satisfaz o ego de quem está dando e não ajuda quem está precisando, posso explicar.
  Vou na praça da Sé e dou prato de sopa de ervilha para os mendigos (nada contra quem faz isso, pelo contrário, as vezes a pessoa pode ter a percepção espiritual muito maior do que a minha). E se o mendigo não gosta de ervilha? E se ele quer cachaça para enfrentar o frio ou qualquer substância alucinogena para esquecer a realidade cruel? 
  Se um medigo te pedir dinheiro para comprar cachaça você vai dar ou não?
  O que quero dizer é que o caridoso quer dar para as pessoas aquilo que ela acha interessante, e não o que a pessoa ajudada sente ser a necessidade dela.
  Se o mendigo quiser um casaco de pele ou um vestido de casamento, ou o terno Armani, ou o seu relógio Rolex, aquele que só se usa em festas de gala, você vai tirar do seu armário ou do próprio corpo para entregar (entramos na questão do desapego), dificilmente a resposta será sim, porque queremos dar o que nós queremos dar e não o que a pessoa está querendo.
  Se a regra máxima é "faça ao próximo aquilo que gostaria que te fizessem" eu digo "faça ao próximo aquilo que o próximo gostaria que lhe fizessem, e não o que você gostaria que fosse feito a você" porque pessoas diferentes possuem necessidades diferentes.
  É por isso que a minha ajuda às pessoas consiste em não tirar a oportunidade de ninguém, e pagar preço justo às pessoas que prestam serviços para mim, de modo que as pessoas possam satisfazer suas necessidades da maneira que lhe agrada, e não da maneira que me agrada.
    

Amar o próximo?

Amar o próximo como a ti mesmo, eis a regra máxima.

  Contudo, com toda a sinceridade, não consigo amar todos os próximos. Por exemplo, passa um mendigo cheirando ruim e falando palavrões na minha frente, não consigo amá-lo, ou um colega de trabalho que se utiliza de todos os artifícios para crescer na empresa, ou alguém que tem a conversa chata, para mim é impossível amá-los.
  Não consigo amá-los e não vou me esforçar para isso, não vou me fingir de bonzinho, de uma coisa que não sou só porque tal ou tal mestre falaram que devo ser assim.
  Apesar disso, me esforço constantemente para não prejudicar ninguém, para não falar mal das pessoas, se vejo uma casca de banana em qualquer calçada eu a tiro, porque não quero ver ninguém cair, independente de amá-lo ou não.
  Jamais trabalharia em algo que soubesse que prejudica as pessoas, não exploro ninguém, não busco mais do que me cabe, não defendo criminosos (pelo contrário, sou a favor de penas mais severas, que lhes impossibilite  fisicamente de praticar novos crimes, porque ninguém tem o direito de prejudicar pessoas honestas).
  Jamais seria politico que utiliza o poder ou o dinheiro público em meu próprio proveito, não faria campanhas fantasiosas enganando as pessoas, e não me faria de bonzinho para ganhar votos.
  Algo que eu não entendo são pessoas que vão a qualquer celebração religiosa e, por exemplo, vendem bebida alcoolica, ou cigarro, ou qualquer outro produto que sabidamente prejudica as pessoas.
  A prática comercial de maneira alguma está dissassociada da nossa vida espiritual, pelo contrário, os ensinamentos espirituais não servem para ser praticados dentro do templo, mas sim no dia-dia, em todos os momentos.
    Por ora, se a sociedade se preocupar em não prejudicar ninguém já terá dado um salto enorme. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Filme/Seriado Ben Hur

Esta semana tive o prazer de alugar o filme Ben Hur, que também pode ser encontrado na forma de seriado.
Trata-se da estória de um judeu que viveu na época do governo romano de Poncio Pilatos, e, portanto, de Jesus Cristo.
Nesta estória, em que Cristo é coadjuvante, e nisto está o insight do filme.
Posso explicar, Ben Hur, ou Benhur, se torna noivo de Ester (nome forte), e na passagem do governador Poncio Pilatos à frente de sua casa, acaba por sem querer derrubar um pedaço de azulejo na direção do governador.
Na verdade, o ato foi forjado por um "telhadista" judeu que tinha um grupo de insurgentes e pretendia se rebelar contra o domínio romano...
Ben Hur foi condenado, quando Jesus aparece na cena e diz: "Perdoe-os, pois eles não sabem o que fazem".
O filme segue, e na volta já triunfal do cidadão romano Ben Hur à Jerusalem, nos muros de fora da cidade, Jesus está ensinando a um grupo "Odeie seus inimigo"... porque se amar apenas os amigos e odiar seus inimigos, no que será diferente dos ignorantes espirituais? (palavras minhas)
E no fim mostra um pequeno trecho da crussificação do Salvador.

De maneira simples, e sem esta pretenção, o filme mostra que Jesus não se importava quem era o governante, o dominador ou o dominado, etc. Que em grau de importância, as coisas espirituais estão acima e além das questões políticas.

Hoje leio no jornal que o Congresso Nacional está prestes a aprovar seu próprio peru de natal, com aumento dos próprios salários e criação de cargos para usurparem. Leia-se, sem o apoio do PT (e de todos os demais partidos) partido que todos acreditávamos em 2002, tal aprovação não seria possível.

Poxa, que sacanagem, trabalhamos todos os dias, muitas vezes mais de 10 horas por dia, para o dinheiro do nosso suor servir de conforto para sacanas. O que tem de justo nisso?

E me veio o exemplo de Jesus. De lutar por algo espiritual, pois o que é de Cesar os monstros estão devorando com a maior voracidade que se pode imaginar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Globalização e desemprego

  O mundo está passando por modificações significativas...  que se iniciaram com a globalização, ou seja, interligação do mundo.
  Dois fatores principais colaboraram para formar a crise nos países desenvolvidos, que são o avanço tecnológico e a transferência das indústrias para as zonas periféricas.
  O governo, que deveria ter se adaptado à esta nova realidade, preferiu encarar os novos problemas com as velhas fórmulas, aumentando gastos sem produzir riquezas, acumulando déficts que tornaram suas contas impagáveis.
  Pessoas foram impulsionadas a consumir mais para manter o nível de emprego. Ocorre que gastar mais não vai resolver nada e vai criar ainda mais problema.
  Alternativa saudável era diminuir a jornada de trabalho de 8 para 6 horas, abrindo espaço para que mais pessoas trabalhem, bem como para que mais pessoas possam se dedicar ao que gotam.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mosaico

O primeiro mosaico que fiz foi este maravilhoso porta chaves... agora vou partir para os próximos passos... (fazer o mosaico das mandalas que estou criando).



Pessoal, estou fazendo esta caixinha craquelada... está ficando incrivelmente linda... nem eu acreditava que poderia fazer uma coisa tão legal assim... o próximo passo é colar o papel dentro e fazer o vidro líquido...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Incensos...

De repente, não me recordo se sonhando dormindo ou acordado... me veio uma idéia que me pareceu incrível... uma "grife" (que ainda vai sair), e a necessidade de uma marca com idéias novas, que não fosse ligada apenas ao mercantilismo, mas algo que trabalhasse com a consciência coletiva.
Tudo isso aliado ao nojo de advogar que eu sinto a cada dia, bem como a repulsa pela 'mediocridade'... e o resultado só poderia ser eu trabalhar na minha nova idéia.
Trabalhar com produtos de qualidade, de maneira honesta... sem forçar a barra, sem mentir... é isso que eu espero da minha nova marca Abhyasa... termo Sanscrito que mexeu comigo...
Era época de eleição e o povo resolveu votar no candidato da Bolsa Família... sabe, não dá para digerir, poxa, vai trabalhar no dia-dia, ser digno, decente... Abhyasa se refere à prática habitual, pois só assim se atinge a perfeição... ou seja, QUER CRESCER ESPIRITUALMENTE, VAI SE DEDICAR TODOS OS DIAS, TER DISCIPLINA... pois as coisas que realmente valem a pena não são obtidas na moleza.
Beijo

Mosaico

Paixão por mosaico e mandalas... Numa bela tarde ensolarada entrei no ateliê e perguntei à professora sobre as aulas.
Já contrariado comigo mesmo, por achar que pintar caixinhas é coisa de mulher... resolvi pagar um mês de aulas pois precisava aprender a pintar objetos que usaria na minha empresa.
Desde a primeira aula fiquei apaixonado por tudo, nas aulas o tempo voa... pintamos, falamos bobagem, é muito gostoso, e de repente vem aquele aquietamento interior... pareço estar na comunhão do Sagrado.
De tudo o que fiz até hoje foi o mosaico que mais me enfeitiçou, e dedico este blog a esta técnica maravilhosa...
Bom, todos são bem vindos no meu blog, podem postar suas artes, textos, comentários... é como se fosse um blog que não é meu, mas sim da arte.
Beijo a todos,